QUEM É VOCÊ?
Quem são vocês?
Uma vez, dois adolescentes entraram na sala de reforço para matar aula. Percebi a pressa com que se escondiam ali e logo soube o que estava acontecendo. “Quem são vocês?”, perguntei na defensiva. Eles me disseram seus nomes, e aquilo me desestruturou.
Quem é você, pessoa que me lê?
Recentemente passei por uma experiência de apresentação de mim mesma. Meu nome não importava, assim como não importava o nome de ninguém ali; o que era importante era dizer o que eu estava fazendo naquele lugar e na vida.
Quando perguntei aos adolescentes quem eles eram, também não estava interessada em saber quem de fato eram, mas o que faziam ali.
Qual é o seu nome, pessoa que me lê?
Tem uma música que diz que “a gente é aquilo que a gente faz”.
Numa apresentação pessoal sem objetivo específico encontro a mesma falha. “Quem é você?” está substituído por “como você ganha dinheiro?”, “que remédios toma?”, “você se dá bem com seus pais?”. Poderia ser uma piada, mas não é. Inclusive, as respostas a essas perguntas vão determinar se o contato continua ou não.
Quem é você, pessoa que me pergunta isso?
Quem é você, pessoa que ainda conversa comigo?
Depois dos adolescentes se acomodarem na sala de reforço e se sentirem seguros, me contaram o que queriam ser, o que desejavam para o futuro. Eles não planejavam trocar de remédios ou de médico, não desejavam ter mais dinheiro, nem sequer melhorar o relacionamento com os pais. Eles desejavam o futuro porque sabiam quem eram.
Onde você se sente seguro para ser quem é?
Às vezes me dá vergonha dizer que tenho medo das pessoas. Muitas vezes tenho medo de dizer quem sou. Medo, porque não é comum que o interlocutor saiba lidar com a descoberta de uma identidade, e o constranger-se é inevitável.
Quando a gente se perde da gente, também pode sentir medo ou vergonha de se encontrar, encontrar o outro.
Gostaria de dar respostas na vida tão simples quanto às daqueles adolescentes, quando o próprio nome é mais importante do que o fazer-se algo socialmente útil e aprovável; quando o próprio nome é o suficiente.
Quem é você?
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