UMA MENTIRA ANTECEDIDA DE UMA INDIFERENÇA NUMA VERSÃO DE CARINHO INCOMPLETO
o que eu sinto? entrei num buraco inevitável, inevitável; um buraco grande que se conecta com vários outros pequenos. eu sinto uma mentira seguida de uma indiferença misturada a outras mentirinhas sem valor. eu sinto uma desconexão e resquícios no ar de algo que, fan-ta-si-o-sa-men-te, poderia ter sido. o controle da ilusão, de uma ilusão que por essência não existe. o abstrato criado de vazios: o que eu vejo e o que é real. ocupo minha vida com criações de personagens todos eles se projetando a mim. o real não cabe e logo vem uma duas três ou quatro versões daquilo mesmo que sou eu, visto no outro. o outro é um vazio para mim que trato de preencher com as minhas próprias formas; minhas próprias porque de tão numerosas e desiguais acabam por apenas encontrar habitação no outro. todas as culpas e os defeitos são meus, assim como toda a delicadeza e sentimento. um embate me dá vontade de chorar porque encontro a mim no outro e nunca o outro em si. cansei de contar quantas pessoas m...